A Bahia contabilizou 70.608 processos relacionados à violência contra a mulher entre janeiro de 2023 e setembro de 2026, segundo levantamento divulgado pela plataforma Escavador. O estado ocupa a terceira posição no ranking nacional, atrás apenas de Minas Gerais, com 127.112 processos, e do Rio de Janeiro, com 84.898.
Em todo o Brasil, o levantamento identificou mais de 659 mil processos relacionados à violência contra a mulher no período analisado, evidenciando a dimensão do problema e a necessidade de ampliar as políticas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.
Brasil registra centenas de milhares de processos
De acordo com os dados, foram registrados aproximadamente 182 mil processos em 2023. Em 2024, o número caiu para cerca de 179 mil, uma redução de 1,7%. Já em 2025, foram contabilizadas aproximadamente 168 mil ações, queda de 5,9% em relação ao ano anterior.
Até 28 de setembro de 2026, a pesquisa havia identificado cerca de 130 mil processos. Considerando o período de janeiro a setembro, isso representa uma média aproximada de 479 novos processos por dia.
O levantamento considera processos públicos relacionados à violência doméstica, à Lei Maria da Penha, à violência psicológica contra a mulher e a lesões correlatas, conforme classificações da Tabela Processual Unificada do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Nordeste concentra 27% dos processos
Na divisão regional, o Sudeste aparece na primeira posição, com aproximadamente 253 mil processos, equivalente a 38% do total. O Nordeste ocupa o segundo lugar, com 177 mil registros, cerca de 27%.
Na sequência aparecem as regiões Norte, com 123 mil processos; Centro-Oeste, com 66 mil; e Sul, com 40 mil.
A advogada Dalila Pinheiro, coordenadora jurídica e encarregada de proteção de dados (DPO) do Escavador, alerta que a redução no número de processos não deve ser interpretada isoladamente como uma diminuição da violência. Medo de denunciar, dependência familiar, ameaças e falta de informação podem impedir que muitas vítimas procurem ajuda.
Especialista destaca importância da prevenção
Segundo a representante do Escavador, é fundamental fortalecer as redes de informação, acolhimento e proteção para que as mulheres consigam reconhecer situações abusivas e buscar apoio antes que a violência se agrave.
O levantamento também ressalta que os números refletem processos públicos disponíveis e podem ser influenciados pelo sigilo judicial e pelas diferentes formas de classificação dos casos nos tribunais. Por isso, os dados não devem ser utilizados isoladamente para comparar a incidência real da violência entre os estados.
Como denunciar
Mulheres que sofrem violência ou pessoas que desejam buscar orientação podem entrar em contato com o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, que oferece informações e recebe denúncias. Em situações de emergência, quando a agressão estiver acontecendo ou houver risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.


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